A PEÇA

“Dois perdidos numa noite suja” (1966) é a reescritura de um conto do italiano Alberto Moravia, “O terror de Roma”. No conto e na peça aparece o mesmo ponto da discórdia: um par de sapatos novos. O enredo gira em torno de Tonho e Paco, dois miseráveis solitários confinados pela própria fragilidade humana, cujo diálogo se constitui numa batalha afetiva e psicológica, onde os desejos de ambos chegam às raias do grotesco da essência humana. Este duelo desnuda-os, da alma à identidade, atingindo assim um desconcerto existencial.
As personagens da peça simbolizam a confluência de processos sociais e históricos, o primeiro vindo do interior com uma tradição arraigada no discurso de um Brasil arcaico e patriarcal, e o segundo, produto de uma sociedade urbana cujas relações afetivas são escorregadias, a pesar de viver na cidade, sua fala está marcada por uma formação discursiva, igualmente, machista e patriarcal.
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Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo
Telefones: 3251 5122 – 3288 0136
De 30/04 a 13/06
Sextas a domingos
A CIA TRIPTAL
Fundada em 1990, em São Paulo, por jovens que iniciavam sua trajetória no teatro, em sua fase inicial, a Cia dedicou-se ao teatro infantil e realizou o Projeto Maria Clara Clareou, com a montagem de sete textos infantis de Maria Clara Machado. De 2004 a 2009, a Cia. desenvolve o Projeto Homens Ao Mar, composto de tradução, adaptação e encenação de textos do Ciclo do Mar de Eugene O’Neill: “Luar Sob o Caribe”, “Cardiff”, “Zona de Guerra” e “Longa Viagem de Volta Pra Casa”. Com mais de 250 apresentações pelo Brasil, Prêmio Shell, Prêmio APCA de melhor espetáculo, o projeto foi convidado para realizar temporada nos EUA – país do autor – num Festival Internacional em homenagem a Eugene O’Neill.
Ao completar 20 anos, tendo passado pela busca de uma identidade, fase de profissionalização dos componentes, dissidências e novos encontros, estamos marcando nossa presença, dando uma modesta contribuição para a história do teatro de São Paulo tendo a certeza, porém, que ainda há muito por se realizar.
PLÍNIO MARCOS
Escritor, dramaturgo, diretor e ator, Plínio Marcos de Barros, nasceu em Santos, em 29 de Setembro de 1935, e faleceu em São Paulo, em 19 de Novembro de 1999. Plínio não era muito afoito a escola e levou quase dez anos para terminar o estudo primário, parando de estudar logo em seguida. Trabalhou como funileiro, vendedor de livros e palhaço de circo. No fim da década de 50, tornou-se membro do Clube de Poesia, do jornal santista O Diário, onde passou a publicar seus textos. Foi por influência da escritora e jornalista Pagú, que começou a trabalhar com teatro amador em Santos. Em 1958 escreveu sua primeira peça teatral, Barrela. Em 1960, mudou-se para São Paulo e passou a trabalhar como camelô. Depois, ingressou no teatro, como ator, administrador e contra-regra, em grupos como o Arena e nas Companhias de Cacilda Becker e de Nydia Lícia. A partir de 1963, passou a escrever textos e a trabalhar como técnico para o programa TV de Vanguarda, da TV Tupi. Em 1968, encenou o cômico motorista Vitório na novela Beto Rockfeller. Após este período, suas peças foram sistematicamente censuradas e, por conta disso, passou a se dedicar também à literatura. Plínio Marcos foi traduzido, publicado e encenado em francês, espanhol, inglês e alemão; estudado em teses de sociolingüística, semiologia, psicologia da religião, dramaturgia e filosofia, em universidades do Brasil e do exterior. Recebeu diversos prêmios nacionais em todas as atividades que abraçou em teatro, cinema, televisão e literatura, como ator, diretor, escritor e dramaturgo.
Texto de André Garolli, diretor de teatro.
FICHA TÉCNICA
Texto – Plínio Marcos
Direção Geral – André Garolli
Elenco – Renaldo Taunay e Igor Kowalewski
Direção de Arte – Wagner Menegare
Desenho de Luz – Nelson Ferreira
Trilha Sonora – Eduardo Agni
Improvisação – Luciana Viacava
Direção de Produção – Carla Estefan
Operação Luz e Som – Pepe Ramirez

